Você quer uma nova causa para abraçar? Você quer fazer algo de bom para a humanidade? Que tal uma reforma simples que vai resolver a maioria das coisas ruins no mundo – como a fome, doenças, pobreza e miséria?
Esta é a mais importante luta pelos direitos civis – a libertação da humanidade da condição de servidão.
Devido à crise em curso, o número de pessoas cronicamente famintas irá subir para mais de um bilhão em todo o mundo.
Durante o período em que estivemos na escola, desde o princípio até o ensino médio não travamos contato com a matéria Sistema Monetário. Por que tal matéria não é estudada antes de termos que tomar a decisão tão importante que é escolher uma profissão para o resto de nossas vidas?
Se iremos passar o resto de nossas vidas tendo que nos preocupar em como fazer dinheiro com uma profissão para adquirir os bens e serviços que desejamos será que não é melhor primeiro conhecer as regras do jogo?
Pois é, o problema é que se você conhecer as regras do jogo não irá querer participar pois ele é feito para sairmos perdendo.
Já explicamos como surgiu o dinheiro e como ele sofreu manipulações ao longo da história até chegarmos ao momento atual, iremos agora entender como funciona o método de emissão monetária nos dias de hoje.
Atenção, tal conhecimento irá mudar de maneira irreversível sua percepção das coisas, a decisão é sua entre continuar ignorante sobre o funcionamento do nosso Sistema ou ir até o fundo da toca do coelho, considere-se avisado.
Há décadas possuímos a capacidade produtiva para alimentar toda a população mundial, o que impede as pessoas com menos poder aquisitivo de terem acesso aos alimentos não é a escassez dos mesmos, mas sim a falta de dinheiro para comprá-los.
Dividiremos este post em duas partes para explicar de maneira detalhada como funcionam as 2 principais causas de todos os problemas sócio-econômicos que possuímos hoje em dia e o que fazer para resolvê-los.
Comecemos pela emissão do dinheiro como dívida:
Como se cria dinheiro?
Existem duas principais maneiras de se criar dinheiro dentro da economia, utilizaremos o Brasil como exemplo:
1. Através da dívida pública:
Quando o governo gasta mais do que arrecada em impostos, tem de pedir a diferença emprestada através da venda de notas promissórias com juros, como os Titulos do Tesouro Nacional, o comprador então empresta este dinheiro ao governo cobrando juros para recebê-lo de volta. Desta maneira se insere dinheiro dentro da economia nacional através do sistema da dívida pública, ou seja, instituições ou pessoas físicas emprestam seu dinheiro ao governo para ele pagar com juros no futuro através da arrecadação de impostos.
Atualmente este montante corresponde à 40% do nosso PIB, portanto quase metade do que produzimos no Brasil dos dias de hoje serve para pagar os empréstimos que o nosso governo realizou no passado para conseguir igualar as receitas e despesas do orçamento nacional, e este valor é considerado baixo quando comparado com outros países.
2. Através de empréstimos privados:
A injeção de dinheiro na economia através do setor privado é mais simples de compreender pois faz parte do nosso cotidiano.
O dinheiro será adicionado à economia sempre que realizarmos as seguintes ações dentro do sistema financeiro:
- Efetuarmos um empréstimo, seja entrando no cheque especial da conta corrente ou pedindo um empréstimo ao banco para qualquer fim.
- Quando recebemos um aumento no limite do cartão de crédito.
- Alavancagem para efetuar transações no mercado financeiro.
Há outras formas, mas estas são as mais comuns para se inserir dinheiro na economia pelo setor privado e corresponde ao maior montante de dinheiro gerado dentro da economia nos dias de hoje.
No segundo post desta série iremos tratar com maior profundidade sobre esta área do sistema financeiro para compreendermos completamente seu funcionamento e como ele é prejudicial para o crescimento da economia real.
Por que precisamos criar mais dinheiro?
Sempre que a capacidade de produção de um país aumenta, mais bens e serviços estão disponíveis portanto deve-se emitir mais dinheiro para que o seu poder de compra continue estável. Se mantivermos sempre a mesma quantidade de dinheiro e somente a capacidade produtiva crescer, teremos o fenômeno da deflação que além de incentivar as pessoas a guardarem o dinheiro (pois ele se valoriza com o tempo) elas não conseguirão efetuar transações de baixo valor pois chegará o tempo em que R$ 1,00 comprará um carro conforme a capacidade de produção aumenta e o número de unidades monetárias na economia continue o mesmo.
Por isso é necessário acompanhar o crescimento produtivo de uma economia com a emissão de mais dinheiro para manter o valor de cada real sempre estável preservando o seu poder de compra, daí você possuirá a segurança de que um real hoje comprará o mesmo que um real daqui 10 anos.
A solução para este problema seria um sistema que regule a quantidade de unidades monetárias providenciando o número suficiente para a capacidade produtiva de tal economia. Para quem não sabe tal sistema já existe.
Lembrem-se de que não importa no que se lastreia o dinheiro, mas sim quem controla sua quantidade.
Por que devemos pagar juros sobre o dinheiro criado?
Em um sistema de moeda fiduciária, o dinheiro não é lastreado por uma mercadoria física (por exemplo: ouro). Em vez disso, a única coisa que dá valor ao dinheiro é a sua relativa escassez e a confiança das pessoas que o utilizam. No nosso post sobre a origem do dinheiro explicamos a história do modelo fiduciário.
Em um sistema monetário fiduciário, não há como restringir a quantidade de dinheiro que pode ser criado. Isto permite a criação de crédito ilimitado. Inicialmente, um rápido crescimento na disponibilidade de crédito é muitas vezes confundido com crescimento econômico, como lucros crescem freqüentemente há um rápido crescimento nos preços das ações. No longo prazo, no entanto, a economia tende a sofrer muito mais pela contração seguinte do que o crescimento adquirido com a expansão do crédito formando as chamadas bolhas.
Na maioria dos casos, um sistema monetário fiduciário passa a existir como resultado do sistema de reserva fracionária – iremos explicar na segunda parte desta série. Quando o governo é incapaz de lastrear todos os papéis por ouro ou prata, a tentação de retirar o lastro da moeda torna-se irresistível. Este foi o caso dos USA, quando Nixon retirou o último elo entre o dólar e o ouro, que está em vigor até hoje. Explicaremos melhor sobre o conceito de emissão monetária livre de lastro no próximo post desta série.
O estágio terminal de qualquer moeda fiduciária é a Hiperinflação. Em hiperinflação, o dinheiro perde seu valor em questão de dias. Hiperinflação é muitas vezes o resultado do aumento da inflação para o ponto onde toda a confiança na moeda corrente é perdida. Em um sistema monetário fiduciário, o valor do dinheiro é baseado na confiança, e uma vez que a confiança se foi, o dinheiro de forma irreversível se torna inútil, independentemente da sua escassez.
O motivo pelo qual pagamos juros pela emissão da moeda é porque estamos no período da história aonde o sistema já está totalmente subjugado à elite financeira do planeta, portanto é praticamente impossível um governo ser declarado soberano e emitir moeda livre de dívida ficando fora das regras propostas pelo FMI e Banco Mundial. Enfim, foi tornado legítimo por lei um sistema monetário completamente nocivo à economia mundial.
Quais os efeitos que este sistema gera sobre a sociedade?
A dinâmica econômica se altera completamente diante de tais circunstâncias pois como a oferta de dinheiro tende a ficar descontrolada devido à natureza hiperinflacionária da emissão monetária baseada em dívida, as empresas têm que adotar comportamentos predatórios para poderem continuar no mercado senão serão engolidas pelas outras que se comportam de tal forma, mas a longo prazo é um suicídio do ponto de vista da sustentabilidade de nossa sociedade.
E qual é a forma mais eficiente para este sistema corrupto?
A forma mais eficiente é produzir o máximo possível, pelo menor custo possível, para vender ao maior número de pessoas possível da forma mais rápida possível.
Perceba que todo o dinheiro criado atualmente é através de dívida, mas onde está o dinheiro para pagar os juros dessa dívida? Ele não existe portanto a quantidade de dinheiro disponível na economia sempre será menor do que o dinheiro com juros que deve voltar para os bancos.
Isso inevitavelmente leva ao desperdício e a poluição para manter os custos operacionais baixos, os produtos se tornam obsoletos muito antes do que o atual nível tecnológico poderia criar, a competição desenfreada e senso de individualismo dentro da sociedade acontecem de maneira violenta pois como não há dinheiro para todos inevitavelmente de tempos em tempos os que estão em pior situação financeira irão quebrar, tornando o nosso sistema econômico uma selva onde temos que matar para não morrer independente da ética ou moral.
Este comportamento criado artificialmente pelo ambiente em que vivemos está tão difundido em nossa sociedade atual que pensamos que o ser humano é naturalmente corrupto, mas tal afirmação é um mito já descartado dentro do estudo da genética e psicologia do comportamento.
O problema é que simplesmente temos que extrair uma quantidade de dinheiro que não existe na economia levando à um estado de tensão social onde necessariamente haverão pessoas enganando outras porque precisam adquirir dinheiro à qualquer custo.
E por último o nosso maior problema é a incapacidade de percebermos que é impossível obtermos um crescimento exponencial por muito tempo dentro de um ambiente finito, portanto as crises de nosso sistema financeiro serão inevitáveis enquanto seguirmos o modelo atual de emissão monetária, porque quanto mais dívida geramos simplesmente por precisar de mais dinheiro em circulação mais crescimento precisamos extrair da produção de bens e serviços de tal economia esquecendo o fato de que os recursos são limitados pelo ambiente.
É preciso entender que o crescimento exponencial exigido pelo modelo atual é impossível para uma economia sustentável, em algum momento devemos atingir o equilibrio dinâmico e parar de crescer, mas isso nunca será possível devido à falha inerente do método atual.
A conclusão que tiramos é que a forma mais eficiente para se comportar dentro deste modelo é a menos eficiente do ponto de vista da sobrevivência da espécie humana.
Em sua essência é um sistema corrupto pois inerentemente tende à falhar.
Quem é beneficiado por tal sistema?
Os grandes bancos e instituições financeiras, o complexo militar-industrial junto com o monópolio do petróleo e todas as pessoas que pertençam ao topo da pirâmide econômica mundial.
Como tal modelo inevitavelmente leva à crises e hiperinflação o poder de compra de todas as pessoas diminui drasticamente quando acontece uma grande recessão financeira, mas a elite se beneficia disso pois possui muito mais dinheiro que todos os outros portanto se aproveitam da crise artificial para comprar à centavos os recursos, negócios, imóveis e tudo que puderem para se apropriarem cada vez mais da economia.
Tal modelo agora é utilizado em todo o mundo através do FMI e grandes instituições financeiras como JP Morgan e Goldman Sachs para saquear países inteiros através do colapso do sistema financeiro nacional e a privatização de seus recursos e empresas estatais para pagar a dívida criada desnecessariamente, o melhor exemplo atualmente é o que está acontecendo na Grécia.
O objetivo final será reunir todo o planeta em torno de uma moeda única, emitida pelo Banco Mundial e controlada através do FMI retirando completamente a soberania das nações e tornando impossível para qualquer pessoa não participar deste sistema.
Qual a melhor maneira de corrigir isto?
Um governo nunca precisaria se endividar, ele não precisa se endividar. Um governo pode emitir o dinheiro que precisa sem juros e de maneira soberana.
Em nosso sistema monetário atual, o governo tem que emprestar todo o dinheiro criado e depois pagar juros sobre ele, é por isso que eles chamam de dívida pública. Todo o nosso dinheiro é criado a partir da dívida gerada pelo mesmo.
Os políticos que se concentram na redução da dívida nacional sem tentar corrigir a causa subjacente, provavelmente não entendem o que a dívida pública seja realmente. Reduzir a dívida nacional seria reduzir o nosso dinheiro, e já não há dinheiro suficiente para a população em geral.
Por que nunca ouvimos isto antes?
Porque o sistema político e a maioria dos meios de comunicação são dependentes dos grandes bancos para empréstimos. Sim, os políticos se apropriam do dinheiro, mas de onde eles tiram?
O que não podem aumentar através de impostos eles emprestam dos bancos.
Isso nos leva a perceber que a causa da crise atual não é um mal funcionamento do nosso sistema econômico, mas sim um método de geração monetária inerentemente falho, onde cedo ou tarde a economia não consegue se desenvolver devido à necessidade de pagar juros sobre o que deveria ser apenas o meio de troca para bens e serviços, é exatamente o oposto do que afirma o conceito de soberania que todos os governos afirmam possuir.
A boa notícia é que a solução para isto não é nenhuma novidade.
A moeda de troca utilizada pelo período mais longo da história humana é chamada de Tally Sticks, e foi a moeda de troca da Inglaterra durante 726 anos.
Foi uma tentativa muito bem sucedida do rei Henrique I em 1100 d.c. para tirar o poder do dinheiro para longe dos ourives.
A moeda era constituída de pedaços de madeira divididos através de talhes para que ambas as partes possuíssem uma gravação dos cortes, o rei mantinha uma metade para proteção contra a falsificação. Então ele podia gastar as outras metades na economia e elas circulariam como dinheiro.
O grande diferencial que fez com que o sistema de Tally Sticks fosse adotado amplamente pela população foi que o rei só aceitava esta moeda para o pagamento de impostos gerando então uma demanda implícita pelos pedaços de madeira talhados por ele.
Tenha em mente que este foi um dos principais fatores que permitiram que a Inglaterra se tornasse um dos maiores impérios da história humana.
Hoje em dia não precisamos mais recorrer à paus talhados para podermos funcionar como economia, temos já ferramentas muito mais sofisticadas para tal tarefa.
No próximo post iremos falar sobre a outra causa dos nossos problemas atuais e ainda mais absurda, a capacidade permitida por lei dos bancos criarem dinheiro a partir do nada através do sistema de reserva fracionária.
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