O que é o dinheiro?
Tente lembrar-se da última vez que fez esta pergunta, provavelmente você tinha menos de 10 anos e deve ter recebido uma resposta vaga como “É assim que podemos comprar o que queremos.”
Seus pais e o nosso sistema de ensino podem fazer melhor do que isso, e Anthony Freeman consegue explicar melhor:
Dinheiro é um meio de troca para conseguirmos o que queremos e oferecermos o que possuímos, seja um produto ou serviço. Por isso o dinheiro ideal deve possuir três características: atuar como um meio de troca, ser imperecível, e ser facilmente calculável.
Meio de troca
Para melhor entender dinheiro como meio de troca recordemos os primeiros métodos de troca. Antes do dinheiro ser inventado tínhamos que recorrer ao escambo. Um fazendeiro que possuísse arroz – mas queria sapatos para sua famíla – teria que encontrar uma pessoa que, a) tivesse sapatos e, b) quisesse arroz. Imagine a dificuldade para encontrar exatamente a pessoa que estivesse vendendo o que o fazendeiro precisa e querendo comprar o que o fazendeiro possuía.
Através da necessidade, surge o início do escambo indireto. Continuando com o exemplo acima, vamos assumir que o fazendeiro encontrou um sapateiro e descobriu que o fabricante de sapatos não queria arroz – ele queria lenha. Enquanto o fazendeiro tomava um drink em um bar da região ele ouviu um homem dizer que queria comprar arroz e estava vendendo lenha. Naturalmente, o fazendeiro vendeu o arroz pela lenha e ofereceu ao fabricante de sapatos lenha pelos sapatos. Neste exemplo, o fazendeiro realizou uma forma de escambo indireto.
Imperecível
Com o tempo, diferentes commodities serviram como moeda de troca mas o problema da durabilidade veio à tona. Uma commodity muito necessária e facilmente trocável era comida. O problema era que estragava muito facilmente. Você tinha que usá-la ou comercializar antes que ficasse estragada. Com o tempo, as commodities mais duráveis começaram a ser usadas como moeda de troca – commodities como ouro e prata. Como o ouro e a prata não estragavam eles eram ideais para este propósito fazendo com que fossem preferencialmente adotados como moeda de troca.
Facilmente calculável
Dinheiro é uma expressão de valor de troca (o valor de troca de cada mercadoria colocado pelos vendedores no mercado). No nosso exemplo acima, era muito ineficiente mensurar o valor de troca em unidades como sacos de arroz, sapatos ou lenha. Mais uma vez a necessidade gerada fez o mercado buscar uma solução mais simples que seria utilizar um valor de troca baseado em medidas fixas de ouro e prata. Como um exemplo, o dólar original chamado U.S. Silver Dollar tinha um valor correspondente em prata (representava 416 gramas de prata pura). Isto foi inspirado no modelo do Dólar Espanhol que também usava um lastro em prata. Um simples método de cálculo consistindo em pesos e medidas aumenta drasticamente a eficiência das transações e incentiva o desenvolvimento econômico.
Qual a melhor forma de dinheiro?
Atualmente, o melhor procedimento é deixar as pessoas decidirem o que elas querem usar como dinheiro. Não há necessidade de um banco central, do controle governamental, ou legislação monetária. A história demonstrou que, quando deixamos para as pessoas, ouro e prata tendem a se transformar na moeda de troca devido às seguintes razões:
- Escassez – a oferta não pode ser manipulada como ocorre com a moeda fiduciária – nosso modelo atual – que é a causa dos ciclos de expansão e contração de nossa economia atual.
- Durabilidade – ouro e prata não irão estragar ou apodrecer o que lhes dá muito valor para estocar.
- Divisibilidade – eles podem ser divididos em pequenas partes que se tornam ideais para o comércio.
- Portabilidade – por concentrarem muito valor não é preciso transportar uma grande quantidade de ouro ou prata para podermos efetuar nossas transações.
- Histórico – ouro e prata são usados como dinheiro por mais de 6000 anos de história.
- Valor de uso – tanto ouro e prata possuem muito valor de uso para a indústria. Todavia seu maior valor de uso está em servir como moeda de troca.
Como o dinheiro honesto aumenta o poder de compra com o tempo
Dinheiro honesto (definido como um meio de troca que consiste em material real que possui uma oferta limitada) podem de fato ganhar valor com o tempo. Vamos explicar. Quando se produzem bens econômicos em uma taxa mais rápida que a produção do dinheiro em questão (por exemplo o ouro minerado) o dinheiro pode comprar (ser trocado por) mais daqueles bens econômicos (oferta de ouro dividida pelo número total de bens). Isto significa que pode de fato gerar retorno positivo se guardarmos este dinheiro porque seu valor de troca irá aumentar com o tempo. Isto também significa que os salários irão diminuir com o tempo enquanto o verdadeiro salário aumenta (o valor no contracheque diminui mas o seu poder compra aumenta).
Como e por que o dinheiro governamental substituiu o ouro e a prata?
Os primeiros banqueiros eram as pessoas que trabalhavam na ourivesaria. Os mineradores levavam o ouro até o ourives para a confecção da moeda. O ourives então entregava um recibo ao minerador para ele depois retirar suas moedas quando produzidas. O minerador logo percebeu que ele poderia imediatamente negociar o seu recibo (sua parte nas moedas) por ferramentas e suprimentos e retornar para sua mina sem ter que esperar pelo ourives.
Com o tempo, os ourives perceberam que os recibos que eles produziam ficavam em circulação e eram usados como um meio de troca. Apenas uma pequena parte da população vinha para seu estabelecimento solicitar o ouro que seu recibo representava. Para aumentar o seu poder de compra ele simplesmente começou a emitir o seu próprio recibo fraudulento (sem ter uma contraparte em ouro) e os usou para adquirir bens e serviços. Isto aumentou o número de recibos em circulação criando inflação e diminuindo o valor de todos os outros recibos.
Tempos depois, os bancos centrais fizeram a mesma coisa. Eles emitiam mais recibos (moeda corrente) do que possuíam em ouro e prata para representá-los. O Dólar inicialmente era um recibo por ouro ou prata. Cada nota possuía a seguinte mensagem:
Certificado em inglês: “This certifies that there is on deposit in the treasury of the United States of America five dollars in silver payable to the bearer on demand.”
Traduzindo: “Isto certifica de que há um depósito no tesouro nacional dos Estados Unidos da América correspondente a cinco dólares em prata para o portador que o demande.”
Em março de 1964, o secretário do tesouro C. Douglas Dillon deu um basta às retiradas de prata por dólares imediatamente quebrando os termos contratuais dos Certificados de Prata.

O Certificado de Ouro foi usado entre 1882 e 1933 nos Estados Unidos e era uma forma de moeda corrente. Cada certificado dava ao seu proprietário o valor correspondente em moedas de ouro. Em 1933 a prática de retirar o ouro através destas notas foi terminada pelo Governo Estadunidense e até 1964 era considerado ilegal possuir essas notas (em 1964 essas restrições foram retiradas, primariamente permitindo colecionadores possuírem estas notas legalmente, mas esta ação tecnicamente convertia essas notas em moeda corrente, com nenhuma correlação com o ouro). Quando o papel moeda foi modernizado (menor, com menos variantes ou tipos) em 1928, os certificados de ouro terminaram de ser produzidos.
Em essência, os ourives (bancos centrais) quebraram a promessa de honrar os recibos produzidos por eles e descaradamente roubaram o ouro e a prata que pertenciam à população. Agora eles poderiam deliberadamente expandir e contrair a oferta de dinheiro fiduciário (sem contraparte alguma) para exercer seu poder e influência sobre a população.
Este modelo foi replicado para todos os países existentes na atualidade e o Brasil não é diferente.
Um breve resumo da história do papel moeda no Brasil:

Notas do Banco do Brasil
A criação do Banco do Brasil, por meio de Alvará de 12 de outubro de 1808, teve por principal objetivo dotar a Coroa de um instrumento para levantamento dos recursos necessários à manutenção da corte.
De acordo com seus estatutos, o banco deveria emitir bilhetes pagáveis ao portador, com valores a partir de 30 mil réis. As emissões do Banco tiveram início em 1810 e a partir de 1813 foram emitidos bilhetes com valores abaixo do limite mínimo inicialmente estabelecido.
Entre 1813 e 1820, as emissões atingiram 8.566 contos de réis, em grande parte determinadas pelo fornecimento de moeda-papel para fazer face às crescentes despesas da corte e da administração régia, que anualmente excediam a receita arrecadada. A partir de 1817, os bilhetes do Banco começaram a perder a credibilidade, sofrendo grande desvalorização.
Em abril de 1821, antes de regressar a Portugal, o rei e toda a sua corte resgataram todas as notas em seu poder, trocando-as por moedas, metais e jóias depositados no Banco, obrigando a instituição a suspender, a partir de julho, a conversibilidade dos bilhetes.
No próximo post iremos explicar como as Bitcoins podem ser o melhor meio de troca já criado pelo Homem.
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