Resposta ao artigo da Revista Veja.

A Revista Veja publicou uma matéria sobre as Bitcoins que contém alguns equívocos que podem prejudicar o entendimento do leitor que nunca tenha travado contato com esta nova tecnologia.

Portanto vamos ajudar os jornalistas que conduziram esta pesquisa a se informarem mais sobre o tema antes de publicarem uma matéria um tanto tendenciosa:

As descobertas de gigantescas jazidas de metais preciosos no Novo Mundo trouxeram então uma lição econômica. Crentes de que tinham descoberto uma fonte quase infinita de riqueza, os monarcas espanhóis Carlos V e Felipe II não hesitaram em transformar em moeda grande parte de tudo o que extraíam das minas. Foi assim que a divisa espanhola da época, o duro, transformou-se na primeira moeda global e causou também o primeiro fenômeno inflacionário de raiz monetária. Como o número de peças em circulação aumentava, a moeda de prata foi perdendo valor e a chamada ‘revolução dos preços’ atormentou o continente por cem anos, de 1540 a 1640 – tudo porque não havia um banco central que controlasse a moeda em circulação. Eis que hoje há outra moeda com a mesma proposta…

A proposta das Bitcoins não é a mesma do Duro Espanhol simplesmente porque é impossível manipular a sua oferta, não é necessário um Banco Central justamente porque nunca será possível descobrir uma “jazida” de Bitcoins como ocorreu com o Duro Espanhol, logo o argumento é completamente inválido pois parte do princípio que o funcionamento das Bitcoins é o mesmo do Duro Espanhol.

Criada em 2009 pelo programador japonês Satoshi Sakamoto

O nome correto é Satoshi Nakamoto.

Surgiram as primeiras crises inflacionárias de raiz monetária – como a do duro espanhol. Fez-se necessário, então, o desenvolvimento de um órgão que colocasse ordem nesta “produção de dinheiro” e desse coerência ao sistema. Aos trancos e barrancos, foram surgindo os primeiros bancos centrais: o sueco Riksbank, em 1668, e o britânico BoE (Bank of England), em 1694.

A necessidade de um órgão para colocar ordem na produção de dinheiro é justamente o motivo pela qual esta tecnologia surgiu, ela é a solução para este problema através de um algoritmo impossível de ser alterado que controla e limita o suprimento monetário instantaneamente eliminando a possibilidade de manipularem a produção monetária.

Com as conferências de Bretton Woods, na Inglaterra, em 1944, as principais economias mundiais da época decidiram fazer uma modificação no modelo. Começava a faltar ouro para tanta moeda e as nações concordaram em atrelar suas moedas ao dólar, o qual manteve a conversibilidade direta com o ouro. Em 1971, o sistema teve nova reviravolta. O então presidente americano Richard Nixon decidiu extinguir, unilateralmente, o lastro da moeda em ouro e, em troca, passou a oferecer como garantia apenas papeis soberanos (títulos da dívida americana).

O modelo de papel-moeda existia antes do Dólar Estadunidense e surgiu no ano 600 d.c. na China e em 1660 na Suécia, ambos os casos foram desastrosos porque os bancos emissores de notas sempre acabavam emitindo mais notas do que o seu lastro em ouro ou prata.

O motivo pelo qual Richard Nixon decidiu abolir o padrão ouro foi porque o sistema de reserva fracionária aplicado pelo Federal Reserve desde 1913 não possuía ouro suficiente para lastrear as notas e a situação econômica nos EUA estava crítica devido à guerra no Vietnam, somando-se a isso a crise do petróleo fez com que muitos países que possuíam reservas de dólares pudessem sofrer um calote que por fim ocorreu e é conhecido como Nixon Shock, a partir daí o Dólar passou a ser lastreado em dívida – ou papéis soberanos se preferir – ao invés de ouro, uma boa troca, não?

“O valor de uma moeda está intimamente conectado ao poder de seu emissor”, destaca Simone Deos, economista da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Ou seja, o valor de uma moeda está lastreado em dívida, fazendo com que cada unidade monetária em circulação possua juros que devem ser pagos novamente aos Bancos e esta é a principal causa dos ciclos econômicos atuais.

No caso do bitcoin, essa espécie de seguro (lastro) é, por ora, inexistente. É como se nada garantisse o valor da moeda digital, a não ser os bits de memória que o geram.

Existem inúmeros exemplos de tais modelos no passado que funcionaram muito bem e a emissão de moeda livre de dívida é a principal causa da prosperidade em países como Inglaterra e a região da Escandinávia.

O melhor exemplo de uma moeda emitida sem lastro e livre de dívida chama-se Tally Sticks, constituia em pares de madeira que serviram durante 726 anos – 1100 até 1826 – como moeda de troca na Inglaterra e eram aceitas para o pagamento de impostos.

Agora se por séculos um dos maiores impérios do planeta utilizava madeira como moeda de troca o que nos impede de utilizarmos Bitcoins?

Hoje, além de terem um BC como guardião, as moedas tradicionais possuem em comum a necessidade da confiança das sociedades para que possam valer alguma coisa. “Temos fé no dinheiro. É algo muito importante para a moeda”, diz Castronova. Isso significa que as pessoas depositam confiança em seus governos. Em última instância, elas acreditam que, caso algo dê errado, o dinheiro que possuem poderá ser trocado por outros bens de valor.

Na realidade o Banco Central é o principal responsável por crises financeiras e problemas econômicos – quando mais precisarmos dos nossos direitos será o momento em que eles serão retirados – e se observarmos apenas os últimos 10 anos de história temos colapsos do sistema financeiro em diversos países como Argentina, Portugal, Espanha, Irlanda, Grécia e sendo os Estados Unidos o pior exemplo neste quesito com o Federal Reserve simplesmente criando dinheiro sem controle para salvar o sistema financeiro mundial que está imerso em dívida.

A oferta total de bitcoins na rede é restrita a 21 milhões de unidades – hoje há cerca de 6,5 milhões – e alguns economistas já apontam que essa rigidez torna o sistema vulnerável. “Se a oferta de moeda é fixa, existe a possibilidade de fenômenos inconvenientes aparecerem. Como um número maior de unidades de bitcoins não é colocado em circulação, as pessoas podem parar de ofertar bens e serviços em troca delas”, prevê Kanczuk. Castronova, da Universidade de Indiana, acredita que, dada esta limitação, o sistema só funcionará se todos de fato se empenharem em fazer circular seus bitcoins com grande regularidade.

Os jornalistas não notaram que na realidade cada moeda é fracionada até 0.00000001, ou seja, se uma moeda ficar muito cara para ser comercializada por uma xícara de café por exemplo basta comercializar suas frações, isso gera um total de 2.100 trilhões de unidades monetárias, o suprimento total de dinheiro no mundo é de 75 trilhões de dólares portanto a quantidade de Bitcoins disponíveis é mais do que suficiente para servir à todo planeta.

Aliás é de se pensar como alguém com a capacidade de criar um algoritmo tão complexo como as Bitcoins não fosse capaz de realizar uma simples conta matemática para saber o número ideal de unidades monetárias, como se o número 21 milhões fosse escolhido aleatoriamente para tal tecnologia.

A Mídia Brasileira pode fazer melhor do que isso, e nós estamos aqui para provar.

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Publicado em 29 de junho de 2011
  • http://bitcoinsbrasil.blogspot.com Simao Pedro

    Que Absurdo esta materia, pois eles mesmo falam que o excesso de dinheiro que causou a crise e falam que é o mesmo modelo usado nos bitcoins.

    Como assim? os Bitcoins existe justamente pra controlar o excesso de dinheiro e a desvalorização do mesmo.

    • Rui

      é a tentativa em descreditar novos métodos. Claro, balançaria toda a estrutura que já é estabilizada, e que funciona em benefício deles. Melhor fazer o povo acreditar que não é uma boa. Tática comum e padrão da mídia….

  • Eduardo

    Além de a mídia brasileira poder fazer melhor que isso, eles não precisam fazer melhor que isso. Como um dos mais fortes canais de comunicação do Brasil seria fiél e favorável ao bitcoin?

    Excelente matéria, parabéns

  • http://www.bitcoinbrasil.com.br Leandro César

    Ótima matéria.

    A comunidade Bitcoin está precisando de artigos e fomentadores assim.

    Parabéns.

    L.

    • Bateia

      Conte conosco.

    • Anônimo

      Conte conosco.

  • http://www.mzbr.com.br/ Thiago Martins

    Ótimos comentários!!
    Sem comentários para a Veja! \o/
    Ôh revistinha sem vergonha! Zoada demais.

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  • Edivandro

    Seria muito bom uma ferramenta para transformar os artigos em arquivos, por ex. PDF. etc.

    • Anônimo

      Agora você pode efetuar o download em PDF no final de cada post abaixo dos links para compartilhar o artigo.

      Nosso conteúdo é livre para copiar e baixar, apenas gostaríamos de saber o motivo de você querer baixar os artigos em PDF? Com a sua resposta conseguimos deixar o blog mais adaptado às necessidades de outras pessoas como você.

      Abraços e obrigado pela dica!

  • Pilulaverde

    Não se preocupem com o que diz a mídia tradicional. A revolução é irreversível e vai transformar esses dinossauros em fósseis.

    O lastro do bitcoin é o melhor possível: uma chave criptográfica gerada por uma rede de capacidade computacional maior do que a soma dos 500 maiores supercomputadores do mundo. Há segurança melhor do que essa?
    A base de qualquer moeda é a criptografia. Qualquer. O dinheiro nada mais é do que uma chave criptográfica. O valor de uma chave criptográfica é diretamente proporcional à dificuldade em decifrá-la.
    A função fundamental do dinheiro é restringir acesso a bens escassos.

    O sistema financeiro tradicional, “código-fonte fechado”, tem o lastro na habilidade dos bancos centrais de manejarem a moeda. Ou seja… “La garantia soy yo”. Eles nos pedem confiança cega, como se fossem seres superiores, nossos pastores.

    O Bitcoin é uma ideia tão fabulosa que os anônimos que a criaram deveriam ser indicados ao Prêmio Nobel da economia.

    Há apenas um porém: quem guardou os primeiros bitcoins, no tempo que a mineração era uma piada?

    pilulaverde@gmail.com